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Estudo Global Revela Efeitos Ocultos das Atividades Humanas Sobre a Natureza

3 Min

A vegetação natural frequentemente apresenta uma falta significativa de diversas espécies que poderiam estar presentes, fenômeno especialmente evidente em regiões afetadas pela atividade humana. Uma pesquisa recente, publicada na revista Nature, investigou essa situação em 119 regiões ao redor do mundo, abordando o que os especialistas chamam de “dark diversity” ou “diversidade faltante”.

O estudo, que contou com a colaboração de mais de 200 pesquisadores da iniciativa internacional DarkDivNet, foi coordenado pelo professor Meelis Pärtel, do Instituto de Ecologia e Ciências da Terra da Universidade de Tartu, na Estônia. Os pesquisadores registraram a presença ou ausência de plantas em 5.500 locais, permitindo uma análise abrangente das espécies nativas que seriam adequadas para cada região.

De acordo com os achados, em ecossistemas com pouco impacto humano, é comum encontrar mais de um terço das espécies que poderiam estar presentes. Entretanto, nas áreas mais afetadas por atividades antrópicas, a diversidade se reduz drasticamente, com apenas uma em cada cinco espécies adequadas. Isso demonstra que as medições tradicionais de biodiversidade, que se limitam a contar o número de espécies presentes, não capturam de forma precisa a extensão do impacto humano na vegetação natural.

O professor Pärtel explica que a colaboração DarkDivNet começou em 2018, fundamentando-se na teoria da “dark diversity” e desenvolvendo métodos para sua análise. Apesar dos desafios impostos pela pandemia de COVID-19 e crises globais, os dados foram coletados ao longo dos anos, resultando em uma amostragem robusta e variada.

A professora Alessandra Fidelis, da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), destacou a relevância do estudo ao evidenciar não apenas a perda de espécies que estavam previamente na região, mas também a ausência de espécies que poderiam potencialmente ocupar esses espaços, o que afeta a regeneração natural dos ecossistemas.

O estudo aplicou o Indicador da Pegada Ecológica (Human Footprint Index) para avaliar a intensidade da perturbação antrópica em cada local. Os resultados mostraram que a diversidade de plantas diminui quanto maior é a pegada ecológica, com influência que pode se estender por grandes distâncias. Além disso, a pesquisa ressalta que a proteção de pelo menos 30% de áreas naturais é crucial para mitigar os efeitos negativos da atividade humana.

Os autores atribuem o empobrecimento da vegetação a fatores como fragmentação de habitat, perda de conectividade, defaunação, e processos de poluição, como a eutrofização. A manutenção de pelo menos 30% da paisagem em estado natural parece ser uma estratégia efetiva para mitigar esses impactos.

Para mais informações, o artigo “Global impoverishment of natural vegetation revealed by dark diversity” pode ser acessado aqui.

Informações da Agência FAPESP

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