A produção industrial brasileira registrou uma queda de 0,3% em fevereiro, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. Apesar disso, os economistas ressaltam que a composição do indicador apresenta aspectos positivos. A queda foi concentrada principalmente na categoria de bens intermediários, enquanto houve um aumento na comparação anual e uma recuperação nos bens de capital, o que indica um aquecimento nos investimentos.
O Bradesco destacou que a indústria de transformação permaneceu estável na margem, com destaques positivos para a fabricação de veículos (6,5%) e equipamentos de informática (4,2%). Por outro lado, setores como a produção de alimentos e a fabricação de combustíveis tiveram resultados mais modestos. Na análise por categorias de uso, houve um avanço significativo na produção de bens de capital, com um aumento de 1,8% em relação ao mês anterior, indicando um crescimento nos investimentos no primeiro trimestre.
O Santander Brasil também observou aspectos positivos, apontando que a maioria das categorias expandiu na margem. Embora a mineração tenha tido uma contribuição negativa, a análise mostra sinais positivos nos segmentos relacionados ao investimento. A projeção para o índice de atividade do Banco Central (IBC-Br) em fevereiro é de +0,4%, com uma estimativa de crescimento trimestral do PIB em +0,7%.
A heterogeneidade da indústria ainda é relevante, com alguns setores apresentando crescimento e outros quedas. Comparando com o período pré-pandemia, a indústria como um todo está 1,1% abaixo desse nível. Enquanto as indústrias extrativas operam 4,2% acima, as de transformação estão 1,8% abaixo. A expectativa é de uma indústria relativamente positiva este ano, impulsionada pela recuperação do setor manufatureiro global, uma balança comercial robusta e políticas de estímulo à atividade econômica.
No que diz respeito aos juros, a expectativa é que a queda da Selic e melhores condições de crédito impulsionem a retomada de segmentos como a indústria de transformação, bens de capital e bens de consumo duráveis. A previsão para o PIB da indústria em 2024 é de um crescimento de 1,6%, enquanto para o setor de serviços é de 3,2%. O crescimento esperado para o PIB brasileiro é de 2,4% em 2024 e de 1,5% em 2025.