Em entrevista no Programa do Ratinho, do SBT, que foi ao ar na noite desta terça-feira (4), o presidente Jair Bolsonaro admitiu que o governo ainda não tem o número de votos suficientes para aprovar a reforma da Previdência na Câmara.
Na entrevista, o presidente disse que sente, mesmo os deputados “reticentes”, cedendo pela aprovação. “A Câmara está cumprindo os prazo regimentais, mas sabe que tem ruídos e, por enquanto, eu acho que não temos os 308 votos necessários. Agora, estou à disposição deles. Se é para conversar comigo, eu viro noite para conversar sem problema nenhum. Agora, a bola está com o Parlamento”, disse.
Bolsonaro também comentou a pressão de alguns partidos pela retirada de municípios e estados da proposta de emenda à Constituição. “Há a ameaça na Câmara de tirarmos estados e municípios da reforma. Aí, prefeito chia. Governador chia. Porque o prefeito teria dificuldade de impor as mesmas regras que estamos impondo para servidores públicos para seu servidor municipal. Estou supondo. Porque todos se conhecem. Vereador é tio, compadre, de todo mundo da cidade. Complica a situação dele”, declarou Bolsonaro.
Em sua avaliação, o presidente acredita que há incoerência na pressão de deputados pela retirada. “Eles (governadores e prefeitos) querem que nós votemos aqui, mas os deputados que representam estados e municípios não querem botar o dedinho lá para sair que votou contra. Mas isso está amadurecendo. Mesmo os reticentes estão cedendo. E acho que vai ser aprovada”, avaliou.
O presidente também foi questionado sobre a mudança de opinião em relação ao projeto, o que segundo ele, só aconteceu após assumir o cargo e ter acesso aos números do Orçamento do país. “Eu tive acesso a números que eu não tinha. Lamento. Mas não temos caixa. Se nós não revermos agora, daqui a dois três anos essa senhora pode ir buscar o salário dela e não ter dinheiro no caixa”, disse o presidente, ao explicar sua mudança de posição.
Em tom otimista sobre a tramitação da proposta, o Bolsonaro disse que a “bola está com o Congresso”, que está disposto a dialogar e que os deputados estão se conscientizando, ainda não tenha ainda os 308 votos necessários para aprovar o texto.